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Meu livro - inspiração

"A mãe do nosso bebê" é meu livro de estreia na literatura infantil, já está em produção e será lançado em breve. A história foi inspirada numa conversa que tive com a minha filha mais velha, quando eu estava grávida. Essa história virou uma crônica também, que está a seguir:

A mãe do nosso bebê

Gisele Moreira

- Lucy, vamos ter um bebê.

- Lucy, você vai ter um irmãozinho ou uma irmãzinha.

- Lucy, a nossa família vai ficar maior

Eu me olhava nos olhos, pelo espelho, enquanto minha a mão acariciava a barriga e simulava mil maneiras de dar essa notícia pra aquela menininha de 4 anos cujo mundo inteirinho estava prestes a mudar. Todas as vezes que eu perguntei, ela tinha dito que não, que estava muito feliz como filha única, que não queria um irmãozinho. E era verdade, ela era muito feliz, acho que a pessoa mais feliz que eu já conheci, mais completa, mas cheia de vida. Talvez fosse melhor esperar mais um tempo, mais algumas semanas. Ao mesmo tempo, era tão estranho guardar um segredo desses dela. Me enchi de coragem e, mesmo esperando a pior reação, falei:

- Lucy, vamos ter um bebê.

Ela parou, pensou um pouco e sorriu:

- Sério? Um bebê! Que legal. Será que é uma menina? Eu amo bebê menina, todas as minhas bonecas são meninas.

Eu sorri quase com um olhar de decepção. Livros lidos, discursos preparados, tudo isso pra ela reagir tão bem assim?

- Que bom, filha, que você ficou feliz com a notícia. A mamãe e o papai também estão felizes.

Ela passou um dia inteiro comemorando esse bebê que chegaria e fazendo planos. E eu, passado o espanto, senti muito orgulho de mim, eu pensava: “nossa, que filha madura e amorosa estou criando”. Tudo isso durou 24 horas. Porque no dia seguinte, a Lucy veio com a pergunta que me tirou o chão:

- Mamãe, quem vai ser a mãe do nosso bebê?

Naquele momento eu descobri que faltou uma informação importante na notícia dada. Respirei fundo e respondi:

- Eu. Eu vou ser a mãe do nosso bebê.

- O que??? – Ela gritou espantada, e as próximas horas foram de choro e reclamação. Muito choro e muita reclamação.

Convenhamos: não deve ser fácil acordar um belo dia e descobrir que você vai ter que dividir com outro ser humano uma das pessoas mais importantes da sua vida. Mas os meses passaram, a Nina nasceu, está crescendo e entre brigas e abraços, o que sobressai aos meus olhos de mãe de duas é a beleza de crescer com alguém que sim, divide a sua mãe com você, mas divide também sua infância, seus medos e suas alegrias. No futuro, haverá memórias que pertencerão só a elas duas; e eu espero que elas se sentem juntas e montem lindamente o quebra-cabeça dessa infância na qual elas dividem a mãe, o pai, os brinquedos, os sonhos, as frustrações e o amor.

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